segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Líder católico afirma que padres pedófilos não deveriam ir para a cadeia


Em uma entrevista recente para a publicação National Catholic Register, o padre Benedict Groeschel, membro dos conservadores Frades Franciscanos da Renovação, disse que em alguns casos de abusos sexuais envolvendo padres os adolescentes agem como sedutores.
Uma década depois que uma investigação sobre casos de abuso sexual do clero norte-americano feita pelo jornal Boston Globe, os alicerces da Igreja Católica dos EUA continuam sendo abalados. Padres e bispos foram processados e algumas igrejas decretaram falência alegando que não poderiam pagar as indenizações milionárias pedidas pelas vítimas. Recentemente, o Monsenhor William Lynn , ex-secretário para o clero da Arquidiocese de Filadélfia foi a julgamento, uma situação até então inédita.
O National Catholic Register publicou esta semana as respostas de Groeschel sobre o seu trabalho com os frades conservadores do movimento da Renovação, uma ordem separatista que ele fundou há 25 anos. A conversa tomou um rumo inesperado quando o repórter perguntou como padre de 78 anos lidava com os religiosos envolvidos em casos de abuso sexual.
“As pessoas têm essa imagem em suas mentes de um psicopata, alguém que planeja essas coisas”, respondeu Groeschel. “Mas isso não é sempre verdade. Suponha que você teve um colapso nervoso, e um jovem se aproxima depois. Em muitos dos casos, o jovem de 14, 16, 18 anos é o sedutor”.
Além disso, Groeschel manifestou sua convicção de que a maioria desses “relacionamentos” são heterossexuais, e que as relações sexuais entre homens e meninos historicamente não eram consideradas como crime.
“Se você voltar 10 ou 15 anos atrás, pensando sobre diferentes dificuldades sexuais – com exceção de estupro ou violência – muito raramente alguém viu isso como um crime… Estou inclinado a pensar, que [um sacerdote] em primeiro lugar, não deveria ir para a cadeia porque sua intenção não era cometer um crime”.
Obviamente essas afirmações geraram protestos dentro e fora da comunidade católica. Em especial porque Groeschel é uma voz influente nas dioceses americanas, pois além de ser autor de vários livros e aparece semanalmente em uma rede de televisão católica.
O sacerdote possui doutorado em psicologia pela Universidade de Columbia e coordena o Trinity Retreat, um centro de oração e de estudo voltado para o clero que ele mesmo fundou. Ele também é professor de psicologia pastoral no Seminário Saint Joseph, da Arquidiocese de Nova York.
Ele já acompanhou vários padres que foram afastados de suas funções por terem se envolvidos em casos de abuso.
Por causa da má repercussão de suas palavras, ele emitiu hoje uma nota oficial se desculpando:
“Peço desculpas por meus comentários. Eu não tinha a intenção de culpar as vítimas. Um padre (ou qualquer outra pessoa) que abusa de um menor está sempre errado e é sempre responsável. Minha mente e meu jeito de me expressar já não são tão claros quanto costumavam ser. Eu passei minha vida tentando ajudar os outros dando o melhor que eu podia. Lamento profundamente qualquer dano que possa ter causado”.
Traduzido de Huffington Post

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